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Como precificar bolsas e mochilas da sua marca: custo, markup e margem

Por Gustavo, LS Confecções · 16 de outubro de 2026 · 5 min de leitura

Mochila executiva preta produzida em private label pela LS Confecções

Muita marca nova define o preço da bolsa olhando a concorrência ou multiplicando o custo de fábrica por dois. As duas formas costumam dar errado: a primeira ignora os custos próprios, a segunda esquece impostos, taxas e despesas fixas. Este post mostra um roteiro simples de formação de preço, com um exemplo numérico, para quem vai vender bolsas e mochilas com marca própria.

Comece pelo custo completo da peça

O custo de fábrica é só a primeira linha. Para chegar ao custo da peça pronta para vender, some:

  • Preço de produção por unidade: o valor cobrado pelo fabricante, com tecido, aviamentos, mão de obra e personalização;
  • Desenvolvimento rateado: a peça piloto e a modelagem. Na LS Confecções, o desenvolvimento custa em média R$ 600, variando conforme o modelo. Divida esse valor pelas peças do primeiro lote;
  • Frete de entrada: transporte da fábrica até o seu estoque;
  • Embalagem e etiquetas: saco, tag, cartão, caixa de envio;
  • Fotos e amostras: peças usadas em ensaio e conteúdo também são custo.

Se você ainda não sabe o custo de produção, o post quanto custa fabricar uma mochila personalizada mostra o que pesa no preço de fábrica.

Separe custos variáveis e despesas fixas

Custos variáveis acompanham cada venda: impostos sobre o faturamento, comissão de vendedor, taxa do marketplace, taxa do cartão ou do gateway de pagamento. Despesas fixas existem mesmo sem vender: aluguel, contador, ferramentas, salário, anúncios mensais. O Sebrae recomenda transformar as despesas fixas em percentual do faturamento previsto para incluí-las no cálculo do preço (fonte 1).

O que é markup

Markup é um índice aplicado sobre o custo para chegar ao preço de venda. Segundo o material do Sebrae, o índice cobre os custos variáveis, as despesas fixas e o lucro desejado, todos em percentual do preço (fontes 1 e 2). A fórmula do markup multiplicador é:

Markup = 100 ÷ (100 − soma dos percentuais de impostos, taxas, despesas fixas e lucro)

Preço de venda = custo da peça × markup

O próprio Sebrae alerta para não formar preço só dobrando ou triplicando o custo, porque esse multiplicador não tem relação com a estrutura de cada negócio (fonte 1).

Exemplo numérico (ilustrativo)

Os números abaixo são um exemplo para mostrar o cálculo. Não são preços da LS Confecções nem alíquotas aplicáveis à sua empresa. Imagine uma mochila com custo completo de R$ 80,00 por unidade, vendida em loja virtual própria:

ItemPercentual sobre o preço
Impostos sobre a venda (exemplo)8%
Taxas de pagamento e plataforma7%
Frete subsidiado e marketing por venda8%
Despesas fixas rateadas15%
Lucro desejado15%
Total53%

Markup = 100 ÷ (100 − 53) = 100 ÷ 47 = 2,13. Preço de venda = R$ 80,00 × 2,13 = R$ 170,40, que você pode arredondar para R$ 169,90 ou R$ 179,90 conforme a estratégia. Conferindo: em R$ 170,40, 53% (R$ 90,31) vão para impostos, taxas, despesas e lucro, e 47% (R$ 80,09) cobrem o custo da peça.

Markup não é margem

No exemplo, o markup é 2,13, mas a margem de lucro é 15% do preço. Confundir os dois é comum. Markup é sobre o custo; margem é sobre o preço de venda. Quando alguém diz que trabalha com "100% de markup", quer dizer que vende pelo dobro do custo, e isso pode resultar em margem líquida baixa ou até negativa depois de impostos e taxas.

O canal de venda muda o preço

A mesma bolsa tem estruturas de custo diferentes em cada canal:

  • Loja virtual própria: taxa de pagamento menor, mas você paga tráfego e frete;
  • Marketplace: comissão por venda mais alta, que entra na soma de percentuais;
  • Atacado para lojistas: o lojista também aplica o markup dele. Seu preço de atacado precisa deixar espaço para o preço final continuar competitivo;
  • Venda corporativa: volume maior, prazo de pagamento mais longo e negociação de preço.

Faça uma conta para cada canal. Se o preço de marketplace ficar alto demais, uma saída é vender um modelo mais simples nesse canal.

Impostos: fale com o contador

A carga tributária depende do regime da empresa (MEI, Simples Nacional, Lucro Presumido ou Real), da atividade e do estado. Por isso o exemplo usa um percentual fictício. Antes de publicar preço, peça ao seu contador o percentual efetivo sobre a venda de produtos.

Valide com o mercado

O cálculo dá o preço mínimo saudável. Depois, compare com marcas de posicionamento parecido. Se o seu preço ficar muito acima, revise o produto (tecido, aviamentos, acabamento) ou a estrutura de custos. Se ficar abaixo, você pode ter espaço para margem maior ou para investir em marca. Para simular cenários, use a calculadora de preço para marcas. Se você está começando, leia também como criar uma marca de bolsas e entenda o modelo de private label, em que você vende com a sua marca um produto fabricado por nós.

Erros comuns na precificação

  • Esquecer o frete grátis: se a loja oferece frete grátis, o custo médio do envio entra nos percentuais;
  • Ignorar trocas e devoluções: reserve um percentual para peças devolvidas ou com defeito de transporte;
  • Dar desconto sem refazer a conta: um desconto de 15% no exemplo acima elimina todo o lucro previsto;
  • Usar o mesmo preço em todos os canais: cada canal tem a sua estrutura de taxas.

Quantidade mínima e custo unitário

O preço de produção cai com o volume, mas estoque parado também custa. Com pedido mínimo de 20 peças por modelo e cor, dá para testar cores e modelos antes de investir em lotes grandes e ajustar o preço com dados reais de venda.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre markup e margem de lucro?

Markup é o índice aplicado sobre o custo para chegar ao preço. Margem é o percentual do preço de venda que sobra como lucro. Um markup de 2,13 pode corresponder a uma margem de 15%, dependendo dos impostos e despesas.

Posso simplesmente dobrar o custo de fábrica?

Não é recomendado. O Sebrae alerta que dobrar ou triplicar o custo ignora impostos, taxas e despesas fixas de cada negócio. Monte o markup com os percentuais reais da sua empresa.

Como incluir o custo da amostra no preço?

Divida o valor do desenvolvimento pelo número de peças do primeiro lote e some ao custo unitário. Na LS Confecções, o desenvolvimento custa em média R$ 600, variando conforme o modelo.

Fontes

  1. Saiba como fazer seu preço de venda (e-book), Sebrae.
  2. Preço de venda: como calcular, Sebrae/PR.
  3. Você sabe calcular o valor de venda de seus produtos ou serviços?, Sebrae/PR.

Precisa do custo de produção para fechar o preço?

Passamos o custo por peça com base no seu modelo, tecido e quantidade, a partir de 20 peças por modelo e cor. Fale com o comercial e monte a conta com números reais.

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